quinta-feira, janeiro 11, 2007

A noite


Ao cair da noite, sinto uma ligeira picada na cervical, por passar muitas horas sentado em frente ao computador. A televisão está num canal de desporto, mas nem ligo ao que se passa. Reparo pela janela, na vivenda devoluta, eternamente à espera de comprador que a pague, e o calor vai penetrando no meu quarto. Os cães ladram, porque uma pessoa passa na rua, e, talvez o cheiro a álcool incomode o olfacto mais apurado dos animais. As copas dos pinheiros não mexem, a lua está cheia, o meu coração vazio.
A frieza de alguém que me telefona após uma briga com o seu namorado, ainda me consegue entreter por momentos e deixar-me um nó na garganta depois.
Fiquei a saber que o amor não existe, o que existe é um determinado contexto, num determinado período de tempo, onde as pessoas, por estarem perto e arranjarem tempo, umas para as outras, dizem que se amam.
Todas as simbioses que se sentem nesses momentos, são ridicularizadas depois, e com o tempo é como se nunca tivesse passado nada.
Será que após esses acontecimentos, as pessoas vão sair com os amigos, vão para festas, trabalham que nem cães e naqueles 20 segundos de paragem antes de entrarem para a cama, sentir-se-ão realizadas, ou sentirão serem umas marionetas manipuladas no sentido do correr dos rios e alimentadas de forma intra venosa.

Miguel Gonçalves (2005)

1 Comments:

At 2:51 p.m., Blogger van cristjan said...

Não tinhas colocado a data, pois não? 2005...
Muito se passou desde então. espero que alguns acontecimentos de tenham ajudado a acreditar que apesar da distância, à revelia de quaisquer contextos, é possível amar... Porque o amor não é oportuno nem circunstancial.

 

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